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As Bicas — bicicletas públicas gratuitas — alinham-se na marginal. Pedale os 9 km até ao Guincho em vez de ir de carro.
Volume III · Cascais
Passeios de bicicleta à beira-mar, marisco em enseadas piscatórias e a hora dourada que fez desta vila uma predileta real.
Uma seleção de Édi Cruz
Cascais · 2026
Cascais tornou-se uma vila de verão para reis e nunca perdeu essa serenidade. Mas por baixo da marina e das lojas, continua a ser uma vila piscatória — e, se souber onde olhar, ainda encontra o seu velho coração salgado.
Este é um guia para dias lentos: para pedalar a costa até ao Guincho, para comer peixe grelhado numa pequena enseada, para ficar no farol enquanto o sol entra no oceano.
Traga uma camisola para a noite. Traga apetite para o meio da tarde. E não traga nada para provar.
Por Portugal, com amor.
Este guia é gratuito. Sempre.
Cascais é fácil de apreciar depressa e um prazer de apreciar devagar. Escolha a segunda opção.
As Bicas — bicicletas públicas gratuitas — alinham-se na marginal. Pedale os 9 km até ao Guincho em vez de ir de carro.
Os turistas de um dia partem às 18h. A melhor luz chega meia hora depois.
Os melhores restaurantes ficam três ruas para o interior. A marina é bonita; a comida, nem por isso.
O passeio marítimo de Cascais ao Estoril — 3 km à beira do oceano, entre palmeiras e naufrágios.
Os cafés antigos ainda cobram menos se beber ao balcão. Faça-o — é o modo português.
Atrás da marina, as antigas casas dos pescadores sobem uma pequena colina. Esta é a Cascais anterior aos turistas.
Se a pesca do dia está no quadro de ardósia, peça a pesca do dia. Amanhã já não está.
O Atlântico está a quinze metros.
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Um restaurante à beira da falésia, junto à Boca do Inferno. Peixe grelhado perfeito, escolhido por si no gelo.
Preço
€€€
Melhor hora
Almoço tardio, 14h30
Duração
2 horas
Oceano dos três lados, janelões, o som da rebentação por baixo da sala.
Porque o peixe é desembarcado de manhã no pequeno porto ao lado. Isso não se falsifica.
© ricardo · CC BY-SA 2.0 · Wikimedia Commons
O antigo mercado de Cascais, convertido em marisqueira. Escolhe-se no gelo, cozinham como gostar.
Preço
€€
Melhor hora
Sexta à noite
Duração
Cerca de 90 minutos
Barulhento, ambiente de mercado, o tipo de lugar onde acaba a conversar com a mesa do lado.
Vai sentir a diferença entre marisco fresco e marisco que esteve dois dias no gelo. Depois de sentir, não há volta a dar.
© Vitor Oliveira · CC BY-SA 2.0 · Wikimedia Commons
Um conjunto de pequenos restaurantes dentro de uma quinta costeira entre Cascais e o Guincho, na falésia. Passeie até um cheirar bem.
Preço
€€
Melhor hora
Almoço de domingo
Duração
Uma hora e meia a duas
Terraços de pedra antiga, o oceano lá em baixo, uma brisa nos cabelos.
O cenário é a refeição. A comida acontece também ser boa.
© Gonçalo Nobre · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Uma sala de jantar empoleirada na falésia acima do Guincho. Janelões, grandes vinhos, uma vista imensa do Atlântico a atirar-se às rochas.
Preço
€€€
Melhor hora
Jantar ao pôr do sol
Duração
2 horas
Ligeiramente sofisticado, mas nunca formal. Venha ao pôr do sol para ver o teatro.
Uma das grandes salas de jantar de pôr do sol em Portugal.
“Em Cascais, a luz faz metade da cozinha.”
— Édi
Cascais ainda tem os seus cafés antigos. É aqui que os pescadores vêm antes dos barcos zarparem.
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Uma padaria de uma sala só, na parte antiga, aberta em 1938. A tosta mista e os pequenos pastéis de nata são a cerimónia.
© Tom Page · CC BY-SA 2.0 · Wikimedia Commons
Um pastel de bacalhau quente recheado com queijo Serra da Estrela, comido com um cálice de Porto. Uma paragem de meia-manhã invulgar e maravilhosa.
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Um café vegetariano de pátio, com bolos empilhados num balcão de mármore. Venha tomar o pequeno-almoço debaixo da figueira.
Três pequenas casas que contam a história de Cascais melhor do que qualquer painel jamais contará.
© Jorge Franganillo · CC BY 2.0 · Wikimedia Commons
Uma vila do século XIX à beira-mar, mantida exactamente como o conde a deixou. Livros, tapeçarias, uma biblioteca aberta para o Atlântico.
Duração
1 hora
Um dos museus pequenos mais românticos de Portugal.
O manuscrito iluminado do século XVI, na biblioteca, é o objecto a procurar.
© HilaThong · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Uma pequena casa forrada de azulejos na falésia, outrora projectada pelo arquitecto Raul Lino para uma família abastada — hoje aberta e gratuita.
Duração
45 minutos
Pelos azulejos. Pela vista. Pela lembrança de que o modernismo português começou em casas assim.
© Vitor Oliveira · CC BY-SA 2.0 · Wikimedia Commons
Um edifício vermelho-ferrugem projectado por Souto de Moura, com a arte feroz e estranha de Paula Rego, a maior pintora portuguesa moderna.
Duração
Uma hora e meia
Rego fez imagens sobre poder e feminilidade. São duras e são inesquecíveis.
Faça a audio-guia narrada pela própria Rego nos seus últimos anos.
“Em Cascais, ande sempre de bicicleta. É a velocidade honesta para esta costa.”
— Édi
Três varandas sobre o Atlântico. Venha ao entardecer, se puder.
© Arquivo Científico Tropical · Public domain · Wikimedia Commons
Um pequeno farol vermelho na estrada entre Cascais e o Guincho. Estacione, caminhe até à borda da falésia, sente-se. O Atlântico escreve aos seus pés.
© Walterpeitz · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Entre Cascais e o Guincho, a estrada contorna um pequeno farol e um troço de falésias baixas que apanham a última luz do dia.
© Jorge Franganillo · CC BY 2.0 · Wikimedia Commons
Uma praia de bolso no coração de Cascais, emoldurada pelas falésias do velho bairro piscatório. Baptizada em honra de uma rainha que gostava de nadar aqui no século XIX.
Cascais não é uma vila de compras — mas há três pequenas portas que vale a pena empurrar.
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Sabonetes portugueses antigos, latas de sardinha em embalagens deslumbrantes, linhos bordados à mão. Uma carta de amor ao ofício português.
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Cerâmica portuguesa pintada à mão que sobrevive a uma mala. Peça-lhes para embrulhar.
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Uma pequena livraria antiga no centro histórico, com um dono que discute Pessoa uma hora inteira. Há traduções em inglês.
Três praias, três disposições. Escolha conforme o vento.
© Alvesgaspar · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons
Selvagem, batida pelo vento, deslumbrante. Kite-surf de nível mundial.
QuemKite-surfistas, fotógrafos, dramáticos.
ÉpocaBonita todo o ano; melhor no outono
© Vitor Oliveira · CC BY-SA 2.0 · Wikimedia Commons
A praia principal da vila — areia fofa, para famílias, cafés nas duas pontas.
QuemFamílias, primeiras visitas.
ÉpocaMaio — Outubro
© Diego Delso · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
A antiga praia dos pescadores, junto à marina. Pequena, calma, cheia de personalidade local.
QuemUm mergulho curto entre refeições.
ÉpocaJunho — Setembro
“A última luz em Cascais é a razão do dia inteiro.”
— Édi