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As estradas são íngremes e estreitas. Algo que rode em seis metros. Se não domina subidas, marque automático.
Volume XII · Madeira
Oito capítulos. Levadas que atravessam a ilha, uma aldeia de basalto negro onde Churchill pintou e uma floresta de louros mais antiga do que a Europa.
Uma seleção de Édi Cruz
Madeira · 2026
Os portugueses encontraram a Madeira em 1419 — íngreme, arborizada, vazia. Cortaram socalcos nas montanhas, plantaram vinhas que os romanos jamais teriam conseguido, escavaram 3.000 quilómetros de pequenos canais (levadas) para trazer a chuva do norte húmido para o sul seco.
A ilha inteira é um jardim em câmara lenta. Cada vale é diferente. O Fanal em nevoeiro parece uma pintura de Tolkien. O Curral das Freiras é uma aldeia no fundo de um vulcão extinto. Câmara de Lobos é onde Winston Churchill se sentou a pintar o mar.
Venha por uma semana. Fique duas. Traga sapatos de caminhada. Não salte a poncha.
Por Portugal, com amor.
Este guia é gratuito. Sempre.
Nesta ilha
A Madeira é maior do que parece. Não tente vê-la em três dias.
As estradas são íngremes e estreitas. Algo que rode em seis metros. Se não domina subidas, marque automático.
O norte pode estar encoberto enquanto o sul está ao sol — a vinte minutos um do outro. Confirme a previsão ao pequeno-almoço e escolha o vale nessa altura.
A caminhada do nascer do sol até ao Pico Ruivo é a Madeira mais cinematográfica — acima das nuvens, quatro quilómetros de crista. Lanterna, agasalho, água.
O espeto de vaca em pau de louro fica pendurado num gancho sobre a sua mesa. Vai empurrando a carne com um bocado de bolo do caco. Não são precisos talheres.
A bebida tradicional (aguardente de cana + limão + mel) é mais forte do que parece. Uma é um ritual. Três são uma dor de cabeça.
3.000 km de trilhos estreitos ao lado de canais de água. Quase todos planos. Alguns têm túneis — leve uma lanterna. Comece com a Levada do Rei ou as 25 Fontes.
O pequeno porto de pesca a dez minutos a oeste do Funchal. Sente-se numa esplanada de poncha, espere que a luz saia das falésias. É grátis.
A comida da Madeira é cozinha de casa com sotaque atlântico. Vaca, peixe, batata-doce, sal, mel, vinho, louro.
© Gerda Arendt · CC0 · Wikimedia Commons
Madeira
SaborO prato nacional da ilha. Cubos de vaca da Madeira marinados em sal, alho e louro, espetados num ramo de louro verde e grelhados sobre brasa, depois pendurados num gancho sobre a mesa. Cada aldeia da serra tem a sua versão. Peça-a em qualquer tasca sinalizada 'espetada'.
© Ana Cake Design · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Funchal
SaborUm pão redondo e macio, cozido sobre uma pedra de basalto quente (o caco), servido morno com manteiga de alho e salsa. Vende-se nas esquinas do Funchal e em qualquer tasca rural. €1,50. Pão com manteiga, mas todo o madeirense se lembra de onde comeu o melhor.
© Dietmar Rabich · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Funchal
SaborO Mercado dos Lavradores do Funchal — azulejos art déco, fruta tropical empilhada por cores, balcões de peixe cheios de peixe-espada preto e atum. Melhor à sexta de manhã, quando os agricultores descem. Traga dinheiro. Prove o maracujá e a tabaibo.
A bebida mais antiga da Madeira é um pequeno ritual: aguardente de cana, limão, mel e o pilão de madeira chamado mexelote.
© Mitsjol · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Câmara de Lobos
RitualA bebida tradicional da Madeira: aguardente de cana, mel local, sumo de limão fresco — mexidos devagar no copo com um pilão de madeira até formar espuma. Peça-a em qualquer tasca da serra. Nunca num bar com música.
O Funchal tem 600 anos. Curral das Freiras é uma aldeia dentro de um vulcão extinto.
© Dietmar Rabich · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Funchal
CulturaA catedral do Funchal, do século XV, uma das primeiras igrejas da era colonial construídas pelos portugueses. Tecto de madeira em estilo mudéjar em cedro (o mesmo que os primeiros povoadores encontraram na ilha). Entrada gratuita. Dez minutos de silêncio dentro da agitação do mercado.
© H. Zell · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons
Curral das Freiras
Cultura'O curral das freiras' — uma aldeia no fundo de uma cratera de 1.500 metros nas montanhas, onde as Clarissas se refugiaram dos piratas no século XVI. Chegue por curvas apertadas. Coma sopa de castanha no topo do desfiladeiro (Eira do Serrado) e olhe para os telhados lá em baixo.
Um alto, um baixo. Ambos essenciais.
© Diego Delso · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Pico do Arieiro
MiradouroO terceiro pico mais alto da Madeira (1.818 m) e o único com acesso rodoviário. Ao nascer do sol as nuvens ficam nos vales lá em baixo e só os cumes estão descobertos. Chegue às 6h. Faça o último quilómetro em primeira.
© Diego Delso · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Câmara de Lobos
MiradouroA pequena vila piscatória onde Winston Churchill se sentou a pintar o mar em 1950. Barcos coloridos na areia vulcânica, falésias por trás. A dez minutos a oeste do Funchal. Peça uma poncha na Vila do Peixe e espere pela luz.
Os portugueses construíram 3.000 km de canais pela ilha. E no Porto Moniz, o próprio Atlântico esculpiu as piscinas.
© Dietmar Rabich · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Ribeiro Frio
NaturezaA levada clássica para começar — duas horas planas desde o viveiro de trutas de Ribeiro Frio, por floresta de louros, cascatas e rochas cobertas de musgo. Termina nos Balcões, um miradouro para o interior. Traga uma pequena lanterna — há um túnel curto.
© Dietmar Rabich · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Porto Moniz
NaturezaPiscinas naturais de água salgada formadas no basalto negro, no extremo noroeste da ilha — o Atlântico enche-as por baixo em maré alta, o sol aquece-as ao meio-dia. €3 de entrada, balneários, seguras para crianças. Fique a tarde inteira.