Três aldeias, um só nome
Praia (a marginal), Sítio (a falésia com o santuário), Pederneira (a antiga vila alta). O ascensor liga a Praia ao Sítio em três minutos.
Volume X · Nazaré
Pescadores que ainda salgam o peixe na praia, uma capela onde um cavaleiro foi salvo e a maior onda alguma vez surfada.
Uma seleção de Édi Cruz
Nazaré · 2026
A história é assim: em 1182, um cavaleiro português chamado D. Fuas Roupinho caçava na falésia do Sítio da Nazaré quando o nevoeiro fechou. O cavalo galopou para o precipício. Ele clamou a Nossa Senhora da Nazaré — e o cavalo travou, cascos na borda da queda de duzentos metros.
É por isso que a capela está onde está. E é por isso que cada pescadeira aqui ainda veste sete saias — uma por cada onda do mar, uma por cada dia da semana, uma para dar sorte. As tradições da Nazaré são mais antigas do que a maioria das nações.
Venha em Novembro pelas ondas gigantes na Praia do Norte. Venha em Julho pelas sardinhas. Venha em Setembro pela romaria. Venha quando quiser — a Nazaré vai estar a fazer o que sempre fez.
Por Portugal, com amor.
Este guia é gratuito. Sempre.
A Nazaré tem três partes. Não as confunda.
Praia (a marginal), Sítio (a falésia com o santuário), Pederneira (a antiga vila alta). O ascensor liga a Praia ao Sítio em três minutos.
O Mercado Municipal tem um grande parque. A partir daí é tudo a pé — a Praia é plana, o Sítio é a subir.
Os gigantes só chegam no inverno, nascidos pelo Canhão da Nazaré submarino. O verão é calmo, praia de famílias.
A lota na Docapesca termina às três. Os melhores restaurantes têm a pesca na grelha às quatro.
A tradição das sete saias é viva, não é uma fantasia. Um discreto 'posso?' e um sorriso chegam — a maioria acena.
Um pãozinho macio e vidrado, com coração de creme. Todas as pastelarias da Avenida da República fazem. Dois euros, quente do forno.
Caminhe até ao Forte de São Miguel Arcanjo uma hora antes do ocaso. Se o mar estiver bravo, é aqui que verá os gigantes.
A cozinha da Nazaré é o mar. Sardinhas em Julho, robalo o ano inteiro, e caldeirada de peixe quando há um casamento.
© Yusuke Kawasaki · CC BY 2.0 · Wikimedia Commons
Uma marisqueira popular a três quarteirões da praia. Sardinhas grelhadas, batatas, salada verde, vinho da casa. Menos de 15 euros. Barulhenta, honesta, sempre cheia às 20h.
© GualdimG · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
O mercado coberto da vila — peixeiros no rés-do-chão, pequenas tascas no piso de cima onde os peixeiros almoçam. Aberto das 7h às 13h, terça a domingo. Traga cabaz.
“As sete saias não são uma fantasia. São um calendário.”
— Édi
O Sítio é o bairro sagrado da Nazaré. Duas igrejas, um coreto e a história de D. Fuas.
© Vitor Oliveira · CC BY-SA 2.0 · Wikimedia Commons
O santuário do século XIV onde as pescadeiras vão dar graças quando os homens regressam vivos. Azulejos azuis e brancos no interior, ex-votos de prata nas paredes — pequenos barcos fundidos, corações, mãos. Entrada gratuita. Traga uma moeda para uma vela.
© Joseolgon · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
O coreto na praça em frente ao santuário foi o palco musical de verão da família real portuguesa. O palacete atrás, residência de verão de D. Manuel II, é hoje um pequeno museu. Ambos silenciosos, ambos gratuitos.
No inverno rebentam aqui as maiores ondas alguma vez surfadas. O forte é o único lugar seguro para ver.
© Carjormartin · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
O forte marítimo do século XVII, no extremo norte do Sítio, convertido em farol em 1903 — hoje o mais famoso miradouro de ondas gigantes do mundo. Num bom dia de Dezembro, verá muros de água de 20 metros e um só surfista em tow-in. Dois euros de entrada.
© Luís Ascenso · CC BY 3.0 · Wikimedia Commons
É por isto que vêm. O Canhão da Nazaré submarino concentra as ondulações do Atlântico Norte em ondas-monstro únicas — o recorde é de 30 metros, feito aqui em 2020. Veja do forte. Nunca da areia.
Duas praias, uma vila. Uma para crianças. Uma para lendas.
© Palickap · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
O amplo areal seguro que deu nome à vila. Calmo no verão, nadadores-salvadores de Junho a Setembro, barracas de praia listadas alugadas por famílias de pescadores. Dois quilómetros de areia macia, um quilómetro de restaurantes.
© Addshore · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons
Nos meses calmos (Junho a Setembro), a mesma praia que recebe os gigantes torna-se um passeio largo, selvagem, de areia escura. Ventoso, deserto, melhor para fotografia do que para banhos. Vá com a maré baixa, volte antes do escuro.